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26/04/2011

Rio de Janeiro: Maravilhosa ou Desumana?

Olhando esses detalhes horrendos de seres humanos amargurados, abandonados à própria sorte, tratados como pedras ou qualquer outra coisa inerte, inanimada, desprezível, os olhos lacrimejam. Esses seres que, a esta altura já nem posso mais dizer que são humanos, estão como um céu sem estrelas numa noite fria; são desconhecidos da felicidade e da esperança. As dores, a incerteza, a desesperança tiram-lhes o sono outrora reparador, causando-lhes pesadelos e alucinações deprimentes.  Analisando essas macas, essas cores esverdeadas, essas camas gélidas, tem-se a impressão de que isso é um depósito de dejetos em vez de uma sala de restabelecimento. Dispostas em vertical, ocupando quase todo o espaço, essas camas impressionam pela sua gelidez. Alguns, inertes, sem qualquer proteção, estão depositados sobre a lataria cadavérica, mas ninguém parece ver isso. As luzes acesas iluminam o local, mas enegrecem a alma desses perdidos que aqui foram jogados.